Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | abril 24, 2010

Amadurecimento de Alice

Assistindo o novo filme de Tim Burton (entre muitas obras, Batiman é o mais famoso), me fez pensar muito nessa ideia de termos muitas “Alices” que estão no “País das Maravilhas”. A ideia dessa nova versão é muito interessante, porque é a ideia da jornada do herói que Joseph Campbell (o grande mitologo), um herói que não quer ser herói. Alice se vê forçada a casar com um noivo que não quer, vê que o casamento de sua irmã é de aparencias e se depara com um mundo que não quer para ela. Quando segue o coelho relojoeiro, cai no buraco e como a historia classica, almenta de tamanho e diminue conforme a formula que está na mesa, quando ela bebe na garrafa diminue, quando come o bolo, almenta.

A ideia é simples, quando bebemos o liquido da garrafa que os “outros” deixam, poderiamos dizer que seria as opiniões alheias que as vezes nos diminui e quando comemos o bolo, almentamos, o bolo é pesado e cheio de enfeites e é obvio que é o orgulho e a vaidade. Há fases de nossas vidas que bebemos das opiniões alheias e nos sentimos diminuidos e quando nos elevam elogiando e nos pondo “polpas” e tudo mais, nos engrandecemos. Mas o mundo das maravilhas é um lugar que se entra para pensarmos que estamos num sonho, pois as vezes estamos tão diminuidos, que criamos sonhos pra não vemos o que está por trás do mundo real. Mas por outro lado, tambem não sabemos o que é o mundo real, porque esse mundo é o que nos deram para pensar o que é dele, mas não pensamos por nós. O Coelho relojoeiro é o tempo, o tempo que passa correndo e temos que segui-lo, na versão classica o coelho diz: “Tô com pressa”, porque o tempo sempre está com pressa e sempre seguimos esse tempo para crescemos e diminuimos conforme nossa convivencia com o mundo.

Nessa nova versão, o coelho tinha que traser a Alice certa para libertar o País das Maravilhas da tirania da rainha vermelha que por anos tiranizou pelo medo e pela força. Não deixou a rainha branca, sua irmã, subir ao trono por causa do ciumes que tinha do jeito da irmã e porque todos amavam mais a sua irmã do que dela. O sentimento armonico nem sempre reina porque existe a tirania da furia e do ciumes, por tudo que amamos. Na verdade, Alice estava vendo todos os sentimentos que poderia trase-la a tomar uma decisao e faze-la amadurecer do seu “sono” de infancia. São fases que Alice tem que passar para ser uma mulher, um adulto que toma suas próprias decisões. Ora, ela passou por isso ao dez anos de idade, aos vinte, passa novamente. São fases que temos que passar durante a vida que a sociedade nos impõe e exigi por isso, Alice se sente usurpada de seu sonho de ser ela mesma, ser em sua essencia exige coragem e determinação. Ela encontra o chapeleiro e os seus companheiros de chá que são malucos, mas antes disso, encontra a largata Oraculum que desafia a Alice a ser ela mesma dizendo que talvez ela não soubesse quem era verdadeiramente. Muitos de nós não sabemos, vestimos uma mascara que nossa sociedade nos põe como necessaria. Mas como pode ser necessario não sermos nós mesmos? A necessidade de uma sociedade que se ressente em ver uns superior aos outros, temos sempre que superar essa “humanidade” em superioridade de sentimento e desprezo, pois a maioria foi programada em dizer tudo que o poder deseja, todos rotula todos para não haver união.

O gato “sorridente” leva Alice ao Chapeleiro maluco que reconhece que ela era a verdadeira, que era impossivel ter outra, ele não confundiria as Alices. Não lembro de todos os nomes, mas o gato cujo o nome não lembro, podemos representar como a alegria, o prazer de fazer as coisas sem a obrigação. Afinal, quem tem obrigação de fazer o que gosta? É nossa motivação, e a malicia “boa” de perceber algum caminho e na nova versão quando Alice voilta depois de dez anos, tem que levar para o Chapeleiro, o sujeito que faz chapéus e os chapéus são para a proteção da cabeça. Seria a proteção da cabeça? A proteção das ideias que temos, o Chapeleiro é nossa convicção mais perfeita, a que seguramos firme a nossas ideias e sonhos, o mundo verdadeiro não deixa temos nossas próprias ideias e cria um paradoxo interessante. Por que? Porque o mundo verdadeiro não podemos ter nossas ideias verdadeiras, e sim, as ideias que o mundo concebe como certo, quando somos verdadeiros, somos taxados de loucos. Até a decada de 70 do seculo passado, muitos foram internados em clinicas de reabilitação de “loucos”, por causa de seus pensamentos próprios e não os que a sociedade tanto deseja que sejamos. Por isso que o Chapeleiro é louco, ele é nosso inconsciente que anula tudo que é certo, porque no fundo, a sociedade não gosta do que é certo.

Por que a verdade nos assusta? Porque nos mostra o que temos de mais sombrio , o que temos de mais intimo que não queremos ver, não queremos encarar essa “sombra” e ficamos escondendo esse nosso lado. Alice era submissa em todos os aspectos e depois de livrar o País das Maravilhas das garras da rainha vermelha, tomou uma decisão de seguir os passos de seu pai. Fez o que quis, porque soube que esse é seu objetivo, seu objetivo é ser o que sempre quis. Ora, a rainha vermelha é as regras que nos “corta a cabeça” e as ideias nossas que são cortadas e a rainha branca, é a harmonia constante. Aquela que nos faz pensar, nos faz tomar as decisões da vida e não ligar o que as pessoas pensam e tem como regra. A Rainha Vermelha são as regras que nos limitam e quiando Alice derrubou seu reinado, pode tomar as decisões certas na hora certa.

Isso mostra a jornada do amadurecimento de Alice que seguiu o tempo, fez dele a sua procura pelo que estava perdido, o País das Maravilhas que era somente, seu subconsciente dizendo que já estava na hora de amadurecer, estava na hora de quebrar as regras e crescer. Nada mais é crescer do que ter seu proprio caminho, seu proprio momento de raciocinar e viver sua propria sina, seu proprio devir. Nada mais era do que o amadirecimento de Alice, bom filme para se pensar.


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